FOTOS: SHUTTERSTOCK
Chalaça, acabou a tinta!
Ainda bem que na época de Dom Pedro I não havia talão de cheques. Já imaginou no dia do pagamento na corte, o imperador ter de assinar sabe-se lá quantas milhares de vezes seu nome completo? Provavelmente ele perderia a voz de tanto pedir ao seu secretário Chalaça que enchesse o tinteiro novamente. Isso porque Dom Pedro tinha nada menos do que 18 palavras compondo seu nome. Era assim: Pedro de Alcântara Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafi m de Bragança e Bourbon. Para o fi lho não ter o mesmo problema, dom Pedro II foi batizado com apenas 15 nomes. Veja só: Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bibiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.
Do Oriente para as Américas
Se você visitar os países da América Latina ou mesmo a Espanha, verá que um dos pratos comuns a todos esses lugares é a empanada, um pastel assado, recheado com carne moída, milho, legumes e mais uma enorme lista de outros recheios. Segundo os pesquisadores, as empanadas surgiram na antiga Pérsia, atual Irã, no Oriente Médio. Aconteceu o seguinte: os povos árabes dominaram Portugal e Espanha cerca de 700 anos depois (do século VII ao século XV). Os mouros, entre seus pertences, trouxeram a receita da empanada, uma espécie de esfi ha recheada de carne de carneiro. O povo de Andaluzia, região ao sul da Espanha, adorou, mas com o tempo modifi cou a receita original, trocando a carne de ovelha pela de vaca. Até hoje, esse é um dos pratos preferidos de países americanos colonizados pelos espanhóis. Em tempo: empanada é uma palavra que, provavelmente, tenha vindo da expressão en pan (usada no sul da Espanha) que signifi ca dentro do pão. Faz sentido!
Nem tudo que reluz é ouro
As mulheres, há mais de sete mil anos, usam maquiagem para ressaltar os pontos fortes e esconder as imperfeições. Mas nem sempre os potes, bases e sombras foram bem-vistos. Por volta do ano 200 da era cristã, apareceu uma lei na Grécia que proibia as mulheres de esconderem sua verdadeira aparência com maquiagem antes do casamento. Assim, diziam os juízes, o noivo não casaria achando que iria levar para casa uma Gisele Bündchen, enquanto, na verdade, acordaria no dia seguinte olhando para a cara da Betty, a Feia. Já os ingleses, em 1770, podiam pedir anulação do casamento sob alegação de propaganda enganosa se descobrissem que a noiva usou maquiagem, dentadura e peruca.
Ó, xente!
Carioca, paulista, mineiro, baiano ou gaúcho. Cada um desses brasileiros tem sua própria maneira de falar a mesma língua portuguesa. A fala peculiar de cada comunidade de acentuar essa ou aquela sílaba da mesma palavra, abrir mais ou menos a boca para pronunciar as vogais, falar mais rápido ou mais lentamente é o que os estudiosos chamam de sotaque ou regionalismo. Independente do lugar onde more, você adquiriu o seu sotaque por imitação. À medida que começou a falar, você aprendeu como pronunciar as palavras com seu pai e sua mãe. Depois de um tempo, estava falando igual às pessoas que moram em sua região. Os catarinenses, por exemplo, têm um modo de pronunciar parecido com os portugueses. Isso porque Florianópolis foi colonizada por casais que vieram dos Açores, um conjunto de ilhas que pertence a Portugal. Agora, para aprender a gostar mais ainda de seu sotaque, procure conhecer um pouco sobre a história de sua cidade e pergunte à sua professora de Português quais foram os fatores históricos que levaram as pessoas daí a falarem do jeito que falam.
Ta chovendo bicho
Você sabe de onde vem a expressão em inglês It’s raining cats and dogs, equivalente ao nosso "está chovendo canivetes, usada quando desaba o maior toró? Essa expressão existe desde os tempos da Idade Média, quando em países como Irlanda e Escócia e interior da Inglaterra, o melhor lugar para os animais, como cachorros, gatos, ratos e besouros se aquecerem era no telhado das casas. Essas eram cobertas de colmo, um caule parecido com o da canade- açúcar, que fazia as vezes de telha. Mas quando chovia, os bichos, para se livrarem do aguaceiro, pulavam no chão, driblando as goteiras. Séculos depois, mesmo após o uso das telhas, a expressão continuou existindo.
Tem louco pra tudo
O czar Ivan IV da Rússia, que reinou de 1533 a 1584, além de tirano, agia como se fosse um pirado. Uma vez, só para se divertir, pediu a um dos seus matemáticos mais brilhantes que calculasse o número de tijolos necessários para a construção de um determinado prédio. O matemático levou tão a sério o pedido do czar que, depois de queimar a cabeça de tanto fazer cálculo, apresentou o resultado a Ivan. Ao término da obra, quando o czar verifi cou que os cálculos de seu matemático estavam absolutamente corretos, condenou-o à morte como bruxo. Segundo Ivan, só quem fosse dotado de estranhos e perigosos poderes conseguiria chegar a tal resultado perfeito. Durma com um barulho desses! |