A Cuca vai chegar... E o Saci, o Boto e o Curupira também! No mês do folclore,
conheça por que ele é um patrimônio importante e algumas
lendas que fazem parte das histórias do nosso povo
É só chegar o mês de agosto que o Saci vai logo vestindo seu melhor gorro, a Iara aquece o gogó e o Boto prepara seu terno mais bonito. Tudo para se preparar para o dia 22, em que é comemorado o Dia do Folclore. Pois é, essa é a data oficial da festa desses seres aqui no Brasil desde 1965, quando foi criada por um decreto federal. Mas essa história toda começa bem mais lá atrás, em 1846.
No dia 22 de agosto desse ano, o arqueólogo inglês William John Thoms escreveu um artigo em que propôs que, para se falar das diferentes narrativas, costumes, cantos e afins dos povos, fosse utilizada a expressão Folk-Lore. As duas palavras, de origem saxônica, querem dizer, respectivamente, povo e sabedoria. Daí, foi só questão de tempo para ela virar o folclore, ou o saber do povo. Mas, afinal, o que é esse folclore de que tanto falam?
Todas as tradições, lendas, crenças e hábitos de um país juntos, formam seu folclore. E se o folclore é a sabedoria do povo, nessa receita entram mitos, lendas, gestos, brincadeiras, adivinhações, orações, encantamentos, juras, festas, encenações, artesanatos, danças, músicas... Ufa! Segundo a Carta do Folclore Brasileiro, aprovada pelo 1° Congresso Brasileiro de Folclore em 1951, dá para resumir esse conceito pelas "maneiras de pensar, sentir e agir de um povo, preservadas pela tradição popular, ou pela imitação". Por tudo isso, o folclore é um modo de as pessoas entenderem melhor o mundo à sua volta e também de se afirmar a identidade cultural de um país.
Quem vem para a festa?
E se o assunto é o folclore brasileiro, todo mundo logo pensa em algumas figurinhas como Boto, Curupira, Saci, Iara... Quer conhecer mais sobre eles? Vamos lá! |
Curupira
Nas matas, é bom desconfiar da direção que as pegadas indicam. Ainda mais se tiver passado por ali o Curupira, um anão de cabelos vermelhos e pés virados ao contrário. Desde o século 16 se fala nesse ser que defende a natureza e faz os caçadores se perderem. Só perdoa das travessuras quem respeita a mata e caça só por necessidade.
Boto
Meninas, cuidado! Se numa noite der de cara com um bonito rapaz nas redondezas dos afluentes do rio Amazonas, é melhor prestar atenção: pode ser o boto! Segundo essa lenda, que surgiu no século 19, é só a Lua aparecer que ele se transforma em homem e sai conquistando os corações das moças para depois sumir para sempre. Uma dica para reconhecê-lo é o buraco da narina que ele tem na cabeça e que cobre com o chapéu.
Cuca
Desde que a gente é pequenininha aprende bem a lição: neném que não dorme, a Cuca vai pegar! Essa malvada, que é uma variação do bicho-papão, também virou personagem de Monteiro Lobato, que a descrevia como uma bruxa velha com rosto de jacaré e unhas bem compridas.
Negrinho do pastoreio
Ele não tem uma história lá muito alegre. No Rio Grande do Sul, conta-se que havia um negrinho que era escravo de um senhor muito cruel e que, depois de perder um grupo de cavalos, foi castigado duramente várias vezes e morreu. Mas, como era afilhado de Nossa Senhora, a santa fez que ele ressurgisse, invisível, guiando os cavalos que finalmente encontrou. É por isso que quando alguém perde alguma coisa acende uma vela para o Negrinho: se ele não achar, ninguém mais acha.
Saci
Todo mundo conhece o menino de uma perna só que fuma cachimbo e vive fazendo travessuras. Ele também virou estrela do livro de Monteiro Lobato, pai da turma do Sítio do Picapau Amarelo. Diz a lenda que esse guardião das florestas está em todo moinho de vento e que sua força está em sua carapuça vermelha. Quem conseguir pegá-la e escondê-la vira senhor do Saci para sempre. Parece que ele realiza qualquer pedido para tê-la de volta!
Vitória-Régia
Nenhum apaixonado resiste a uma bela noite de luar. Nem a índia Naiá, que se apaixonou logo pela própria Lua. Ela passava noites e noites admirando seus raios até que, um dia, viu seu reflexo nas águas do rio. Achando que a Lua estava se banhando, mergulhou e se afogou. Com pena, a Lua então transformou a índia Naiá numa planta que pode ter 2 metros de diâmetro, flores de até 30 centímetros e um perfume delicioso, conhecida como vitória-régia.
Iara
Também conhecida como Mãe-d'água, esta sereia hipnotiza os homens com seu canto, fazendo que eles entrem nas águas e se afoguem. Uma história parecida existia já na Grécia, com o herói Ulisses, mas essa versão surgiu aqui no Brasil por volta do século 19. Antes disso, as lendas indígenas falavam de uma serpente que vivia nas águas e engolia os homens.
Fontes: Dicionário do Folclore Brasileiro de Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte: Itatiaia: São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1988; Fundação Joaquim Nabuco e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
|